Mimos
Comprei uma caixa de CDs da Legião Urbana e fiquei me sentindo o máximo. Uma caixa brilhante e reluzente, com os seis CDs, mais um livrinho. É muito bom comprar um mimo assim pra si mesma. Faz trabalhar valer a pena. Fora que foi engraçado na loja. Foi uma compra de impulso, mesmo. Parei em frente à caixa, peguei, coloquei debaixo do braço e fiquei andando para lá e para cá. Um vendedor se aproximou e perguntou se poderia ajudar:
- Pode. Eu quero levar essa caixinha aqui.
Como se eu estivesse falando de uma bobagem de 3 reais.
- Levar? Levar direto?
- É.
Ele parecia não acreditar que uma garota de tênis, short, acabando de voltar da praia com uma bolsa de ginástica atravessada no corpo pudesse comprar a caixa assim, sem discutir preço ou perguntar em quantas milhões de vezes ia parcelar.
- É pra presente?
- Não. É pra mim.
Mais chique que isso, só se eu tivesse pago à vista (parcelei em três vezes, não tem juros mesmo).
Confesso que fiquei toda convencida com o meu gesto burguês. Cheia da grana. "Virei prayboy", como diria o Bené, em Cidade de Deus.
Aí eu chego em casa e fico sabendo que a minha irmã comprou... um carro. Do nada, sem mais nem menos. Tóim. Minha caixa ficou parecendo uma paçoquinha. Quem nasceu pra repolho, nunca chega a couve-flor.