Sábado, Novembro 16, 2002

(CONTINUAÇÃO)

"Foi apenas o tempo de correr até o quarto e trancar a porta. Em uma fração de segundos, soube que tinha que ser rápida, que não podia pensar. E não pensou mesmo. No quarto, com a porta fechada, arfou. Não sabia o que fazer em seguida. Não sabia o que estava acontecendo, nem se estava acontecendo realmente. Havia um homem com um arma na sala de sua casa. Ela morava sozinha, ninguém ia chegar, ninguém poderia imaginar que estaria em perigo. Esperava que o bandido roubasse o que encontrasse na sala e na cozinha e fosse embora. Para seu terror, não foi isso que aconteceu. Ele começou a esmurrar a porta, dizendo:
- Eu vou arrombar! Eu vou matar você!
Ele não gritava, falava numa altura tal que ela ouvisse, mas não chamava a atenção de ninguém. Ia mesmo arrombar, era só uma questão de tempo. A porta de seu quarto certamente não havia sido projetada à prova de psicopatas. O bandido ficou um tempo quieto e ela ficou ainda mais apavorada. Sua cabeça começou a trabalhar as hipóteses. A arma que ele trazia devia estar descarregada, ou ele já teria arrebentado a fechadura com um tiro. Ele devia ter ido buscar alguma coisa que lhe permitisse derrubar a porta do quarto. E ela viu que tinha razão quando, apenas um minuto depois, ele começou a bater com algo que produzia um estrondo horrível e fazia a porta tremer toda. A essa altura, ela notou que tinha que fazer alguma coisa. Mas o que? Não havia tempo para ligar para a polícia. Até ela explicar o que estava acontecendo, ele já teria entrado.
Então ela teve uma idéia.
No seu quarto, havia um armário embutido. A parte de cima dele era extremamente funda, porque avançava para o corredor, de modo que acima do teto do corredor ainda era armário. Então ela arrastou a cama, subiu nela, deu graças a Deus de não guardar muitas tralhas ali e enfiou-se com muita dificuldade dentro do armário, fechando a porta por dentro.
A operação durou tanto tempo quanto ele levou para conseguir fazer a porta em pedaços e entrar no quarto.

Ao entrar, ele não conseguia entender. Onde estaria ela? Olhou pela janela. Será que ela teria sido louca o suficiente para se jogar? Sorriu internamente, pensando que, se ela realmente tivesse feito isso, seria sob um pânico imenso. Olhou para baixo. Não havia um corpo no chão. Não, ela não tinha se jogado, ele (ainda) não havia provocado tanto pavor nela assim. Se ela não tinha se jogado, ele mesmo teria que matá-la. Mas teria que encontrá-la primeiro.
Olhou embaixo da cama. Ela não seria tão primária a ponto de se esconder ali, seria? Não. Mas havia sido boba o suficiente para achar que ele não notaria que ela tinha tirado a cama do lugar. Sorriu. O que o medo não era capaz de fazer com as pessoas. Já ia subir e tirá-la de dentro do armário, quando teve uma idéia melhor. "
(CONTINUA...)


postado por Fernanda, às 8:38 PM |

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Como água no deserto/ Procurei seu passo incerto pra me aproximar/ A tempo/ O seu código de guerra/ E a certeza que te cerca me fazem ficar atento/ Não me importa a sua crença/ Eu quero a diferença/ Que me faz te olhar/ De frente/ Pra falar de tolerância/ E acabar com essa distância entre nós dois/ Deixa eu te levar/ Não há razão e nem motivo pra explicar/ Que eu te completo e que você vai me bastar, eu sei/ Estou bem certo de que você vai gostar/ Você vai gostar/ Como lava no oceano/ Um esforço sobre-humano/ Pra recomeçar do zero/ Se pareço ainda estranho/ Se não sou do seu rebanho/ E ainda assim/ Te quero... ("Tolerância" - Ana Carolina)


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