CONTINUAÇÃO...
"- Algum problema?
Olhou para cima, para de onde vinha a voz. Quase assustou-se. Um homem de uns 30 anos, de uma beleza incontestável, estava parado perto dela, e, pelo visto, interessando-se pela sua situação. Não dizem que quando Deus fecha uma porta abre uma janela?
- A porta está presa, algo está entre o vão e o chão.
Ele tenta empurrar a porta.
- Verdade, a coisa aqui está complicada... como será que isso foi acontecer?
Era muito bom falar com alguém. Ela já se sentia um pouco mais calma.
- Não sei. Alguma coisa deve ter caído no chão com o vento e, na hora que eu empurrei a porta, encaixou aí. Não tenho idéia de como vou fazer para abrir.
Nem sei se quero. Por que você não me convida pra tomar um chopp enquanto resolvemos esta questão indissolúvel?
- Isto está com cara daquelas coisas que se resolvem com jeito, e não com força. Vamos tentar...
De fato, após umas quatro ou cinco tentativas, a porta cedeu. Ela não havia tido condições de raciocinar daquela forma, mas era óbvio que o deus grego tinha razão quanto ao “jeito”. No entanto, a questão agora era não desperdiçar a sexta-feira, e nem a chance que havia aterrisado no seu colo.
- Obrigada, eu acho que entrei em pânico e não pensei direito... Você é morador novo?
- Não, estou só de passagem, vim visitar um amigo.
- Ah... e você aceita entrar e tomar alguma coisa comigo?
Eles ainda estavam diante da porta aberta.
- Claro, por que não?
Ele sorriu e ela não podia acreditar em sua sorte. Abaixou-se e resgatou do chão o porta-retratos com o 3x4 do pai que havia caído da mesinha.
- O pivô da confusão.
Ele, de novo, acompanhou seu sorriso.
- Sente-se. Você toma uma cerveja comigo?
Diante da resposta afirmativa, ela foi até a cozinha e tirou duas latas de cerveja da geladeira.
- Olha que engraçado, a gente ainda não se apresent...
Ela parou congelada na prota da sala. Os pés, por um segundo, pareciam estar grudados no chão, ao mesmo tempo que as pernas pareciam querer falhar. O homem estava com uma arma na mão. E apontava para ela."
(CONTINUA...)