Minha vida é um post iluminado
Acordei às 8h30 da madrugada em plenas férias sagradas para fazer os exames dos infernos. Praguejei contra até a quinta geração daquela japa maldita, que não satisfeita em me fazer passar por essa humilhação, ainda teve a desfaçatez de me dizer que “para pacientes dessa idade a gente sempre pede esses exames". Ou seja, me chamou de velha, e eu tive que suportar calada. Vai que se eu reclamasse ela pedia mais uma ressonância magnética, só de sacanagem?
De qualquer forma, pensei em argumentar com ela que uma mulher chique como eu não faz xixi e nem cocô e que, portanto, não pode fazer exame de urina e fezes. Deixei para lá porque, no fim das contas, agora era uma questão de honra. Afinal, se ela tinha pedido, eu ia ter que fazer. Era eu contra os exames.
Vou pular a primeira parte e ir direto para o exame de sangue, que é mais asseado. Depois de passar pela terrível hora dos potinhos, lá fui eu colher sangue. Como a minha pressão sempre abaixa nessas ocasiões, tratei de preparar o terreno: levei mamãe para forçar a minha cabeça pra baixo e segurar a minha onda, sal para pôr debaixo da língua, e ainda avisei a todos com que tinha contato:
- Ihhh, minha pressão abaixa quando eu tiro sangue, HEIN?
Só porque eu me preparei toda... minha pressão abaixou mesmo. Passei mal, dei vexame, mobilizei várias pessoas... para chamar ainda mais atenção, passei o dia todo com aquele band-aid na veia. Que não tem a menor graça tirar sangue se ninguém nem notar que você tirou.
Agora é esperar pelo resultado e torcer para que a médica asiática não me avise que eu tenho pouco ferro, ou muito ferro, que meu rim está empedrado e podro, meu colesterol está alto ou qualquer uma dessas porcarias que, quando a gente fica sabendo, mais atrapalham a nossa vida que ajudam, mas que os médicos sempre sentenciam como se essa informação fosse nos salvar da morte certa.
Tenho horror a médico, hospital e exame dos infernos.