Morram, pessoas que ligam
Aqui em casa a cada vez que toca o telefone é uma celeuma. Já foi-se, há muito tempo, aliás, a época em que eu era adolescente e que o telefone era sempre pra mim. Não é mais, pícaro sonhador. Agora os poucos sem loção que querem realmente falar comigo ligam pro celular. Pouquíssimas pessoas ligam pro telefone fixo aqui de casa pra falar comigo.
E isso explica o porquê da celeuma. Ao menos em parte. O que ocorre é que a cada vez que toca o telefone ninguém quer atender e fica aquela porra tocando. Eu não quero atender porque nunca é pra mim. Minha mãe não atende porque acha que é pro meu pai. E meu pai não atende porque é Joselito mesmo. Em grande parte das vezes é pra ele. E ele sabe disso.
Aí, pra merda parar de tocar, eu atendo logo a bosta da ligação. Logo, não, logo depois de uns cinco ou seis toques, quando não agüento mais. E aí acontece a coisa irritante. Meu pai atende ao mesmo tempo. Isso é PÉSSIMO porque, como é pra ele, mas é alguém que me conhece, a pessoa fica do outro lado da linha querendo puxar papo comigo. E meu pai lá, falando “alô” ao mesmo tempo, porque, a essa altura, ninguém mais se escuta. E eu querendo desligar o telefone porque não faz sentido eu ficar na linha se já sei que a ligação é pra ele e ele atendeu também. Ao mesmo tempo, tenho que fazer média com o corno educado que ligou e quer muito ser meu amigo.
Rola uma tensão nessa hora. E por isso eu decidi que NUNCA MAIS atendo o telefone. Era isso.