Música dos infernos
Busão. A caminho da minha médica meio às pressas, pra checar novas ziquiziras provavelmente alérgicas. Passo na roleta e depois por uma figura estronha, de cabelo grande e embolado, maltrapilha, mas sorridente, com um violão e uma flauta na mão. Foi eu sentar no banquinho e o cara se manifestou. Acho que ele estava só me esperando entrar.
- Bom dia a todos! – era de tarde – Estou aqui para tocar para vocês músicas latinas! Para dar energia para vocês! Energia, energia!
Oh, não. Se eu precisasse de energia, tinha comprado uma barrinha de cereal União. O pior de tudo é que o sujeito estava na minha frente e eu não tive coragem de colocar o discman, gesto praticamente automático quando entro em ônibus. Estou ficando velha e de coração mole. Esperei pacientemente o cara acabar de tocar suas músicas horrendas (eu ainda pensei que ele pudesse ter algum talento, mas não, pícaro sonhador) e ainda joguei 1 real morto dentro da sacolinha que ele passou.
Estou precisando renovar meu estoque de maldade. Por isso é que em julho eu vou pra um SPA. Ah, vou.