Ratos vivosRato bom é rato morto. Eles são muito úteis para se tacar nos pélas-saco que povoam essa grande bola em que a gente vive. Talvez seja pra isso que eles existam: para morrer e se tornarem quase heróis. Que bonito isso.
Só que para morrer é preciso estar vivo (caraca, como estou filosófica hoje. Acho que vou escrever um livro de auto-ajuda com anjos, cristais e borboletas e ficar rica). E esses bichinhos nojentos estão por aí, circulando. Outro dia, estávamos eu, Pentel e miniPentel no Museu da República passeando. Pra quem nunca veio no Rio e não conhece, o Museu da República é a antiga sede da República, quando a capital era o Rio. Lá tem um jardim lindo, ótimo pra caminhar.
Enfim, estávamos nós lá quando Pentel resolveu ir comprar uma água de coco e eu fiquei esperando afastada com miniPentel. Dali a pouco, a vejo agitando as mãos, olhando pra mim e dizendo "olha, olha!". Não entendi o que era até que ela voltou e disse que tinha um rato perto do lixo do tiozinho do coco, que não pareceu muito abalado quando minha irmã apontou a criatura. Ele espantou e o bicho saiu correndo, direto pra cima do pé de uma mulher que estava parada perto. Ele parou em cima do pé dela e CAVOU que nem a Tutti! Visualizem um rato em cima do pé de vocês cavando igual cachorro. Coisa linda de Deus. Posso imaginar mil reações que eu teria, entre gritos histéricos, perda de voz, desmaio instantâneo e perda de cabelos, além de um nojo sem fim. Mas a mulher - sorte dela! - não viu e nem sentiu nada e o rato foi embora sem que ela pudesse se aterrorizar.
Agora que eu já superei meu trauma de baratas, meu grande pânico é ter que enfrentar um desses invertebrados (ha. Segundo a professora primária de um amigo meu, rato é invertebrado. Que medo do que ensinam pras crianças). Como se mata um rato? Tenho coragem não.
A sorte é que eu moro em apartamento, andar alto e isso nunca vai acontecer. É mais fácil aparecer um saci ou o sapo boi azul. Pentel disse que um rato pode vir pelo vaso sanitário. Mas eu não acredito nela não.