DatouSábado eu tive mais uma das minhas noites bizarras. Fui pra casa de Pentel cuidar da minha sobrinha e ela foi pro jantar de aniversário de TodaFashion. Assim que minha irmã voltasse pra casa, eu ia partir pra Ploc.
Ploc. Ploc é uma daquelas coisas de que eu não gosto muito, mas não desgosto. Não desgosto porque eu sou muito tolerante e, pra me recusar a ir a um lugar, eu tenho que ter tomado um plim absurdo. Topo qualquer merda. Então, quando Gêmea da Night me chamou, eu concordei.
Quando minha irmã chegou, contou, às gargalhadas, que o amigo de TodaFashion assim reagiu, quando ela disse que eu ia pra Ploc:
- Ai, gente... Ploc já “datou”, né?
Sensacional. Datou é a palavra pra Ploc mesmo. Já passou do ponto. Já deu o que tinha que dar. Fim. Mas as pessoas insistem. Eu incluída.
Quando eu cheguei lá, percebi o quanto o tal amigo de TodaFashion tinha razão daquela vez. Ele era praticamente um vidente. Mãe Dinah. Uri Geller. Paulo Coelho. Se duvidar, faz chover. O lugar estava inficável. Só tinha uma pista aberta, a menor. Ambiente fechado, extremamente escuro (não dava pra enxergar um palmo à frente do nariz), com muita, muita, mas muita, fumaça de cigarro.
Passei uns minutos de agonia pensando em como ia contar pra Gêmea da Night que eu não ia agüentar ficar lá dentro nem dez minutos. A gente já tinha gastado os 15 pães fofinhos da entrada, mas não dava pra ficar ali, NEM pra perder a noite. Então, eu lá, maquinando o que ia fazer, Bruno e Marrone acordando e tudo pra pensar, quando Gêmea me fala:
- Acho que vou ligar pros meus amigos.
Sim! Os amigos dela que estavam em outro lugar! Tentamos na mesma hora falar com os caras, mas não conseguimos. Depois de uma tentativa frustrada de obter o telefone do outro lugar via 102 (o atendente não conseguia me entender, até que desistiu e DESLIGOU NA MINHA CARA), acabamos indo de qualquer maneira, na cara e na coragem. Ainda bem que o preço era honesto. Depois de perturbarmos o sono de muitos mendigos da meia noite do Rio de Janeiro, finalmente começamos a nos divertir. Aliás, graças a Deus que isso aconteceu. Papai do Céu é o cara.
Quem será que foi o responsável pelo toque de Merdas que transformou a Ploc numa coisa, agora sim, que não dá mais pra ir?
A louca do banheiroNão poderia deixar de mencionar a louca. Porque sempre tem um louco. Ou melhor, tem muitos. Mas tem aqueles que merecem ser mencionados.
Entramos na fila do banheiro e começamos a ouvir uns gritos lá dentro. Nos aproximamos e os gritos ficaram mais fortes:
- A próxima, A PRÓOOOOXIMAAAA!
Que medo! Será que a loira do banheiro tinha voltado? Será que ela, com os olhos vermelhos de ovo frito, ia perguntar pela filha, que teria saído pra tomar uma dose dupla de black ice e não tinha voltado?
Mas não! Era a tiazinha do banheiro que controlava a fila assim! Aos berros! Só depois que eu entendi o porquê: tinha umas vacas na porta batendo papo e obstruindo a entrada, como se estivessem na fila, mas não estavam. Elas só estavam conversando... na passagem pro banheiro. Sem loção. Aí a louca gritava pras de trás passarem à frente. Mas depois ela tomou gosto e, mesmo quando não tinha fila, gritava do mesmo jeito. Pra passar o tempo, exercitar a voz, sei lá.