Lustre e calorEsse calor vai me matar. Agora eu sei como aqueles europeus que morrem nas ondas de calor se sentem. Eles devem ir ficando fracos, fracos, com dor de cabeça, suados e nojentos (e sem tomar banho, porque gringo simplesmente não entende que no calor tem que tomar mais banho, eles levam anos no Brasil até compreender esse simples fato), até que falecem e vão para o céu dos gringos.
Hoje eu estou me sentindo assim, à beira da sepultura ou do derretimento eterno. Passei três horas comprando lustre em Benfica (bairro do Rio com várias lojas de lustres). Muitos lustres, muita sola da minha sandália linda gasta (porque eu vou no bairro dos lustres, mas vou toda espetaculosa), comprei luminárias e lâmpadas pra todo um apartamento. Haja paciência.
Especialmente porque, se eu entrei em quatro lojas, em uma delas tinha que ter uma vendedora sem loção. Eu já disse que num ajuntamento de quatro pessoas tem sempre um chato, mas esqueci de complementar que tem sempre um chato E um louco dos infernos. A mulher não era certa da cabeça não.
Eu e Pentel conversávamos sobre um lustre que tínhamos decidido comprar em outra loja, só que estávamos em dúvida se o outro era menor ou maior. Aí entra a vendedora caveira no meio do papo:
- Mas aqui também tem do maior!
E a gente:
- Sim, mas vimos outro lá que preferimos, só que estamos achando até que talvez esse seja melhor, porque parece maior, mas temos que ir lá olhar o outro pra tirar a dúvida e...
- MAS AQUI TAMBÉM TEM DO MAIOR!
Cacetes iluminados! Que medo dessa mulher! Falei bem devagar:
- Ooooolha, a gente vai lá rapidinho só ver o outro, táaa?
Deixamos Papai Joselito de refém da louca enquanto íamos na outra loja. Acabamos ficando com o lustre da desvairada, que depois perguntou se nós queríamos umas lâmpadas sbbrubbles que não tinham lada a ver com o que a gente tinha pensado, uma coisa totalmente da cabeça dela. Agoniada, disse pra Pentel:
- Vamos atrás dela pra ver se ela não vai fazer alguma bobagem.
Vai que ela embrulhasse tudo errado e eu chegasse em casa com umas coisas verdes com rosas desenhadas. Ou com piu-pius. Lá tinha isso. E muitas coisas grotescas até piores que eu quero esquecer. Meus cérebro quase fritou e aquela breguice era tão dantesca que poderia ter ficado gravada nas minhas retinas para sempre.
Tudo num calor de 40 graus e em crise alérgica por causa dos ácaros da arrumação de armários do carnaval. Essa vida não é assim um mar de doce de leite.