Não sei se era pulga ou...Além do carnaval, eu odeio verão. Sou uma carioca atípica. É que no verão os monstros entram no meu quarto. E nem são monstros morenos, altos, fortes e bem apanhados, assim como o Gael.
Antigamente, eram as baratas. Elas entravam sempre quando Papai e Mamãe Joselita estavam viajando. Aí Papai comprou finalmente uma lata de inseticida, que fica no meu quarto na estante, enfeitando, junto com os porcos. É o meu inseticida da sorte, quase uma figa. Com isso, claro, elas pararam de me visitar, porque agora eu estou armada. Só que, domingo, apareceu... percevejo. Com mil insetos nojentos! Estou aqui, tranqüila e calma feito água de poço escrevendo algum post no computador, curtindo a minha depressão dominical como qualquer ser humano normal, ni qui olho para a cortina e o bicho esta lá, olhando na minha cara e rindo com a boca escancarada cheia de dentes.
Ai, meus sais! Percevejo é um bicho pequeno, mas ele tem uma particularidade: fe-de. Pra quem não sabe, não se pode matar um percevejo, porque ele antes de morrer percebe o perigo e libera uma substância de cheiro horroroso. Ao menos, foi essa a explicação que ouvi uma vez e não vou conferir porque estou sem paciência pra pesquisar no Pai Google. Se tiver algum biólogo lendo, que me corrija. Bom, por quê, eu posso não saber direito, mas sei por experiência própria que eles fedem, sim, e, portanto, não podia matar com um chinelo.
Também não ia pegar com um papel porque ia ter medo. Vai que ele voasse na minha cara de repente? Pronto, meu enfarto previsto para os 35 ia chegar seis anos mais cedo. Ah, não. Quero viver pra ver a MiniPentel se formando no jardim da infância. Ou CA. Sei lá como falam hoje. Enfim, como não podia fazer nada disso, peguei... o inseticida. A-HÁ! Finalmente ele ia servir pra alguma coisa, depois de meses parado na minha estante. Taquei inseticida no bicho que de preto ficou branco de tanto veneno. Se não morresse envenenado, morria afogado.
Só que o bicho não morreu. Ele ficou se arrastando, chafurdando no veneno. Era o percevejo Jamanta, se recusava a bater as botas. Joguei mais veneno. Ele continuava se mexendo. E eu não podia fazer mais nada, porque não podia tocar no bicho. Ele poderia exalar o cheiro fedegoso.
Pior mesmo é que eu fiquei com pena dele. Ah, fiquei. Sacanagem submeter o pobre inseto a uma morte lenta. A intenção era que ele morresse logo, não que ficasse agonizando. Eu só não queria passar a noite com ele, mas não o odiava.
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Depois de toda a saga, quando eu estava prontinha pra ir dormir e o bicho já tinha quase morrido, eu olho pra perto da minha cama e vejo... outro percevejo! Pênis! O problema deve ser comigo, né?