Campanha “Eu quero um ogro”
Mais uma da série: “esta deveria ir para o
Homem é Tudo Palhaço”. E se duvidar vai mesmo. Vou mandar uma cópia do post pras minhas amigas do blog. Porque essa história é tão bizarra, mas tão bizarra, que precisa ganhar mundo. Voe, história.
Marquei eu um segundo encontro com um palhacinho que brotou em uma boate e eu peguei. Mais velho, 36 anos. Isso pra mim é um milagre, porque a minha vida praticamente é o Xou da Xuxa. Acho que eu deveria ser dona de creche e estou desperdiçando uma vocação.
Então, marquei com o sujeito. Íamos em uma drinkeria muito legal aqui perto, ambiente ótimo, descolado. Tudo combinado, ia encontrar com ele lá. Quando eu estava chegando, ele me liga dizendo que estava com fome, que queria comer comida, bla bla bla e que achava que nesse lugar (onde ele nunca foi) não tinha muita coisa pra comer (?). E me perguntou se eu me importava de ir ao shopping. Eu disse que não, né? Fazer o quê? Ia bater o pé e depois ficar me sentindo culpada porque as comidas lá são caras? Porque não tem arroz com feijão? Deixei quieto e mudei os planos então.
Aí que sentamos eu e ele na praça de alimentação do shopping. Eu com zero fome e meio de má vontade, tratei de pedir logo um chopp pra achar a coisa toda menos anti-clímax. Eu ia precisar mesmo, já que o sujeito resolveu pedir um pratão de camarão com arroz e comer na minha frente. Tem coisa pior que comer no primeiro encontro? Prato de comida só se encara lá pelo quarto ou quinto encontro. No mínimo.
Enquanto ele batia o pratão e eu me entorpecia com o chopp, o sujeito começou a “puxar papo”. Mas vocês pensam, pícaros sonhadores, que o rapaz falou de amenidades? Do trabalho, do trânsito que ele pegou pra chegar lá, de uma coisa qualquer que ele viu na TV? Nãaao, tolos! O carinha queria falar de política, religião... eu me senti batendo papo com algum professor de cursinho pré-vestibular. E dos chatos, porque eu tive vários legais que não falariam sobre tais coisas em um encontro com uma menina.
Em dado momento da animada conversa, o sujeito pergunta:
- Você é jornalista, deve gostar de História, né?
Que divertido.- Gosto sim.
- Que época da História você prefere?
Cacetes renascentistas! Qualquer época que não seja aqui, sentada, conversando com você!Falei o que me veio à cabeça:
- Idade Média.
Peste negra, sabe? Quando todos morriam em extrema agonia. E ele:
- A Alta ou a Baixa?
Tá de sacanagem, né?! Corto meus pulsos já, agora ou imediatamente?Mas não é só ísssio! Vocês pensam que terminou? Lá pelas tantas o cara vira e fala:
- Ah... o seu cabelo é tão bonito... natural... tem uma cor linda...
Nossa, ele está me fazendo um elogio! É uma declaração meio gay, mas ainda assim um elogio, e agora eu quase gosto del...- ... só que você está usando o SHAMPOO ERRADO.
Anh? Tá doida, bicha invejosa? Só porque você fez a sua escova progressiva? O meu pelo menos não é chapinha!Ante ao meu olhar perplexo, ele (tentou) explicou:
- Está muito ressecado aí em cima.
...
E é por isso, amiguinhos, que eu decidi: quero um ogro. Porque aí quando eu falar “o que você acha do meu cabelo?” ele vai responder “UGA!”. E quando eu falar de História, ele dirá: “BUGA!”. E quando ele ouvir as palavras “ressecado” e “shampoo” na mesma frase vai arregalar muito os olhos ograis e exclamar, indignado: “UGA ... BUGA???”. E assim eu serei muito mais feliz.
Só o que lamento de toda essa história é que tudo terminou e eu acabei não perguntando qual era o shampoo certo. Afinal, ao menos eu podia ter tido uma recomendação de beleza. Se bem que não. De repente a bicha é sem luz e ia me sugerir um shampoo que ia fazer meu cabelo cair. Todinho.