A grande cobraEstava eu indo almoçar toda feliz e cantante, pensando nos sushis que eu ia assassinar com garfo e faca,
quando o meu coração pára por um instante. Ai, minhas safenas, que me custaram tão caro. Vejo muitas bizarrices sempre no meu trabalho e ao redor dele, mas eu estava diante, naquele exato momento, de uma das maiores delas.
Era um homem sentado numa cadeira tipo carteira escolar, no meio da rua, com uma gigantesca cobra no pescoço. Nisso eu pensei: "andam pingando cachaça na água do trabalho. Eu nem bebi vodka hoje". Sim, porque aquilo só poderia ser uma alucinação. Um homem. Sentado. Com uma cobra gigante. Em volta do pescoço. Não, né? Enlouqueci. Chamem os homens de branco com aquelas camisas de mangas longas pra me levar.
Tudo isso eu pensando no segundo que meu coração ficou parado. De repente, meus pensamentos foram clareando e eu vi que o homem com a grande cobra (ui), que ainda por cima falava sozinho, praguejando coisas sem sentido, na verdade, ostentava uma cobra feita de pano. O que não deixa de ser grotesco, mas, pelo menos, não era uma cobra de verdade.
Oi? O que fazia um cara com uma cobra de pano sentado numa cadeira no meio da rua? Sei lá, rapaz. Nas redondezas onde a gente encontra pessoas jogando imagens de santos nas pessoas, eu posso achar de um tudo. Homens incrivelmente brancos segurando a revista UFO. A Isabelita dos Patins. Gente que gosta da nova novela das oito. Telespectadores do BBB que não acham que o Alemão vai ganhar. Qualquer coisa.