EU E O PERU - PARTE IIA chegada no aeroporto de Cusco, cidade onde se desembarca de avião pra ir a Machu Picchu, só não foi decepcionante porque, pela primeira vez, vi neve. Tá, era lá longe, no topo de montanhas com nevezinha, mas não importa, porque eu nunca tinha visto, então fiquei que nem boba. Digo que seria decepcionante porque eu esperava uma descida nas montanhas igual no filme Vivos, saca, o avião passando por entre as montanhas em voos rasantes quase derrubando todo mundo de lá de cima, o avião caindo e todos tendo que comer carne humana pra sobreviver. As pessoas na internet falam que essa descida dá medo, então eu não esperava nada menos do que isso. Queria sentir medo e não senti la-da. Daí que ainda bem que tinha as montanhas com neve pra animar.
CocaNesse dia, utilizamos todos os meios de transportes para chegar a Machu Picchu. Do aeroporto, pegamos um táxi e fizemos uma viagem de uma hora e meia até chegar a Ollantaytambo, a cidadezinha onde ficaríamos hospedados. Deixamos nossas coisas no albergue, pegamos um trem (mais uma hora e blau e outra decepção, diga-se de passagem, porque disseram que a viagem de trem era linda e foi só chata e demorada) e depois um ônibus pra chegar no parque onde tem as ruínas. Essa agência de viagens que eu contratei (Veia saltada e Medulinha Inc. ) adora uma aventura. Antes de pegar o trem, tomamos um café da manhã reforçado com... chá de coca! Fala sério, a gente chega lá querendo tomar chá de coca e ver até elefantes indianos voando nos céus do Peru. Na verdade, o troço é pra ajudar a encarar a altitude, uma bobagem de cerca de 4 mil metros. É incrível como a gente fica sem fôlego se começa a falar muito. Então calei a boca. Ou andava, ou falava. Também me senti um pouco aérea e jurei que era por causa do chá (o maldito chá TINHA que dar alguma onda), mas acho que era a altitude mesmo. As cervejas que tomamos no fim daquele dia num bar que era só nosso deram muito mais barato.
Lhamas locasMachu Picchu. Machu Picchu é um lugar para se ver na vida. A primeira visão que se tem das ruínas é de tirar o fôlego. Tudo é enorme, grandioso, alto, lindíssimo. Nós três concordamos que não sentimos uma “energia” (uma coisa assim zen-cabeça-zuuupertendenzia) que esperávamos sentir, mas não importa. É bonito, é deslumbrante, vale a visita.
Passeávamos, então tirando foto de cada pedra, ni qui vemos quem? Elas, finalmente. As lhamas. Minutos antes comentávamos que era frustrante não ver nenhuma lhama de verdade, já que elas estão desenhadas em todos os lugares, e que por isso deveriam soltar umas nas ruínas pra enfeitar, nem que fossem de circo. Foi o que fizeram. Lá estavam elas, correndo alegremente por entre os turistas, sendo fotografadas, tudo na mais perfeita ordem. Já estávamos assim acostumados com elas, sabe, passeando com a gente, todo mundo junto... Quando, passando por um caminho estreito avistamos lá de longe uma lhama endemoniada correndo a uma velocidade inexplicável. Na nossa direção. Do nosso lado esquerdo tinha uma paredão com o quê? Pedras. Do lado direito era um barranco. Não tinha espaço pra gente e a lhama. E ela vinha correndo, surtada, lo-ca. Na fração de segundos em que tudo isso aconteceu, quando achávamos que a única opção seria sair correndo da lhama, que corria muito mais que a gente, sei lá como Veia achou um recuo na parede de pedras e a gente se espremeu ali, esperando a lhama enfurecida passar correndo e rezando pra ela não resolver virar pro lado e acabar com a nossa existência. Olha, depois de quebrar o pé ao ser atropelada por uma bicicleta, só faltava ser atropelada por uma lhama. Ia ser o cúmulo da humilhação.
Como eu estou aqui, inteira, sem nenhum osso quebrado. Vocês podem imaginar que a lhama passou. Então no fim do dia, depois de tudo devidamente visitado e fotografado, três farrapinhos humanos embarcaram no trem de volta, porque esse passeio cansa, viu? Na viagem de trem eles serviram um lanchinho com um bolinho muito rústico...
(CONTINUA...)