ArmaQuando eu fui ao sapateiro levar a bota maldita da Arezzo e ainda pensava que podia ser um simples salto descolando, ele a pegou, analisou e sentenciou:
- O salto está bom, o problema é na arma de ferro.
Como minhas botas da Pontapé nunca deram esse tipo de problema, eu não sabia o que era sei-lá-o-quê de ferro que ele estava falando.
- O quê? Arma de ferro?
E o moço:
- É, minha filha. Arma. Igual as pessoas falam que cada um tem uma arma.
- OK, arma de ferro, está bem.
E voltei pro trabalho, carregando a bota infernal na bolsa e ainda ingenuamente pensando que iria na loja dizer que o calçado tinha vindo com um problema na arma de ferro e eles iriam me ajudar.
Chego no trabalho e conto a história pra Suave Veneno, que a bota tinha um problema em um "ferrinho que fica dentro do sapato". E ela:
- Sei, é a ALMA de ferro.
...
Ai, minha santa Aurélia, padroeira dos vícios de linguagem! O sujeito não conseguia falar o L de alma, estava falando arma, e eu repetindo arma pra ele. Praticamente achando que tinha um revólver dentro do sapato. Que vergonha.
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Em tempo: a Arezzo espontaneamente deu a mesma resposta automática falando da legislação, por causa do post que fiz, pelo e-mail do blog. Aparentemente, eles têm um bom sistema de monitoramento do que é postado sobre eles na Internet, mas não serve pra nada, porque não é lá uma grande coisa me mandar um e-mail falando o mesmo que já me disseram antes. Ainda por cima, realmente, como alguns leitores disseram, descobri por fontes muito seguras que o problema da bota é um caso de vício oculto, ou seja, eu não teria como perceber logo que comprei e nem em 90 dias, logo, o prazo não se aplica. Eles mereciam, sim, que eu fosse brigar, mas confesso que se perder porque o advogado da Arezzo vai ser melhor que o meu eu vou ficar com um grau de raiva número 897 que não vale nem a pena correr o risco de ter. Resta nunca mais nem olhar pra vitrine da Arezzo (o que fiz ontem mesmo, quando fui ao shopping comprar um sapatinho novo e olhei todas as lojas, menos essa, óbvio) e, é claro, jogar um milhão de ratazanas mortas em todos os envolvidos.