Contos de MiniPentel IMiniPentel estava desenhando um vestido de noiva (pois é, gente, menina é uma praga, já vem na memória genética essa consumição) e cantarolando uma musiquinha que ela ia inventando na hora. Perguntei se a música existia e ela disse que não, mas que tinha uma que existia. E começou:
- Com quem será, com quem será, com que será que a MiniPentel vai casar... vai depender, vai depender...
Aí pensei: "Quem será que preencherá a lacuna da musiquinha? Vai depender de quem? Será que ela já tem um namoradinho na escola?". Tensa. Essa musiquinha foi inventada pelo próprio cão pra nos atormentar. E ela continuou:
- ... vai depender se a MiniPentel vai querer!
Para tudo. Que coisa mais século XXI, meu Deus! Notaram a sutileza da coisa? Vai depender se ELA vai querer casar, isso sim, e não de nenhum pretendente. Adoro o pensamento dessa nova geração. Além de tudo, ainda acaba com a tensão de cantarem isso e você nunca saber que nome vão resolver falar. Tenho certeza de que o infarto que um dia eu vou ter foi encomendado em uma dessas brincadeirinhas lá no tempo patrasmente.
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Contos de MiniPentel IIEla ainda não tem, mas bem que já queria começar a garimpar o príncipe, a MiniPentel. O problema é que a coisa está feia. Certo dia ela vira e fala:
- Eu queria namorar o Fulano, da minha escola, mas ele só quer saber de brincar com o Eduardo.
É, MiniPentel. Acostume-se, porque ainda haverá muitos Eduardos no seu caminho. Cada vez mais tem Eduardo. O que não falta é Eduardo. O problema são os Eduardos.
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E o Brasil, hein? 3 a 0. E na primeira vez que eu acerto um placar em toda a minha vida, a única testemunha é o moço que consertava o elevador do prédio dos meus pais. Entrei, ele me olhou e perguntou:
- Moça, quanto a senhora acha que vai ser o jogo?
Ainda abalada pelo estranhamento de ser chamada de "moça" e "senhora" na mesma frase, incorporei a feiticeira da outra encarnação e disse, do alto da minha sabedoria oracular:
- Hoje vai ser... 3 a 0.
O sujeito deu uma protestada, disse que "não sabia não" e tal, porque torcedor é sempre desconfiado, mas agora ele deve estar se benzendo e achando que encontrou a própria bruxa do 71 no elevador.