Ei, vocêEra um dia desses chatos de chuva que tem feito hoje. Gente, andar na rua, circular de um lado para o outro, na chuva, não é legal. Chuva é bom pra ficar em casa vendo séries. Chuva é o único momento em que eu tenho vontade de ter um carro pra me jogar dentro dele e pronto. Ainda bem que moramos em um lugar que não chove sempre.
Mas esses dias tem chovido. Eu voltando pra casa, no ônibus, aquela vida triste, levantei pra saltar TODA ENROLADA. Carregava bolsa a tiracolo, bolsa de mão (porque mulher sempre acha um motivo pra ter que carregar não uma, mas duas bolsas), o celular dentro de uma das bolsas com o fone no ouvido e um guarda-chuva ensopado sendo manobrado meticulosamente no meio de toda essa confusão, tomando cuidado pra com ele pra não me molhar e nem molhar as pessoas. Imaginaram a cena?
Então, visualizem esse momento, eu nesse contexto andando pelo ônibus pra saltar, quando, de repente, uma mulher sentada me olha, arregala uns olhões de ovos fritos, começa a apontar pra mim e a fazer gestos frenéticos desesperados, tentando chamar a atenção pra alguma coisa, falando algo que naturalmente eu não ouvia por causa do rádio aos berros que inutiliza meus ouvidos lentamente.
Com muito esforço, consegui tirar um fone com uma das mãos, tomando cuidado pra não me estabacar, e perguntei:
- Oi?
Cara, porque tinha que ser uma coisa muito grave, tipo eu estar sangrando pelos olhos ou estar com o crânio aberto com o cérebro escorrendo e um zumbi acoplado, algo nesse nível.
E a mulher:
- Você está de crachá.
...
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Cacetes corporativos devidamente identificados para o controle de acesso!!! Amiga, quando eu estou de crachá, eu sei que estou de crachá. É como andar com o cadarço desamarrado VOCÊ SEMPRE SABE, mas não teve saco ainda de parar para resolver isso.
Não sei vocês, mas eu acho que não mereço essas coisas. Honestamente.