Sábado, Julho 04, 2009
Arezzo e o caso de descaso com o clienteQuanto tempo vocês acham que deveria durar uma bota da marca Arezzo, considerando a marca famosa e que a média de preço é acima de 300 reais? Uma bota que quase não foi usada, que você só calça em ocasiões especiais? Mais que 90 dias? Claro, né? Um calçado desses tem que durar alguns anos. Não, tolos. Comprei uma bota tem mais ou menos uns dois anos e quase não usei, porque o salto é alto e então raramente uso. Outro dia, percebi que ela estava bamba, levei em um sapateiro e ele disse que a alma de ferro está quebrada. A alma de ferro é um ferrinho que fica entre onde você pisa e a sola, por dentro do sapato. É algo feito para não quebrar nunca. É claro que tem alguma coisa errada: a alma de ferro de uma bota que quase não foi usada, da marca Arezzo, não deveria quebrar. Levei na loja e a vendedora informou que não mandam para análise nada com mais de 90 dias de comprado. É isso mesmo? Depois de 90 dias, um calçado Arezzo pode acabar? Sei que esperar que a loja ouça o que eu estou dizendo não é nenhum absurdo. Outro dia mesmo Minnie Nome Triplo levou na Mr. Cat uma sandália que ela comprou há uns três anos e arrebentou. Eles prontamente mandaram para a análise e consertaram. Mesmo a sandália não sendo nova, ninguém discutiu, ainda que fosse para manter a cliente, evitar uma repercussão negativa ou mesmo para verificar se alguma parte no processo de fabricação falhou. Escrevi para o SAC da empresa relatando o problema e a resposta foi que, pela legislação, a loja não é obrigada a analisar um produto com mais de 90 dias de comprado. Em momento nenhum eu falei que achava que estivesse legalmente amparada. Só que eu acreditava que, talvez, uma marca como a Arezzo tivesse o cuidado de ouvir o cliente. Estamos falando de uma marca que pretende ser percebida como de alta qualidade e vende seus produtos com valores que seguem esta lógica. No e-mail do SAC, eles disseram que “todos os direitos elencados no Código de Defesa do Consumidor foram e sempre são respeitados por toda Rede de Franquias Arezzo”. Jura??? Gente, é CLARO que eles respeitam o Código de Defesa do Consumidor. Eles não são malucos! Se não respeitassem, gastariam milhões em processos perdidos. Respeitar o consumidor hoje não é um diferencial. É o básico. Só que não é isso que vai fazer a marca se destacar. O diferencial não é fazer o "básico", a "obrigação", o que "atende à legislação", e sim, encantar o cliente, conquistá-lo. O contrário do resultado da minha história: uma cliente profundamente decepcionada. Infelizmente, não tenho acesso ao dono da marca, o empresário Anderson Birman. Parece um visionário, duvido que ia querer que o nome da marca ficasse arranhado assim. Mas essas histórias não chegam no dono da quitanda: param nos robôs do SAC. Se você quiserem comprar um sapato que dure mais que 90 dias, já sabem: não comprem na Arezzo. E se não quiserem que os conhecidos de vocês também caiam nessa armadilha, comprando um sapato lá achando que é de qualidade, divulguem essa história. Postem nos blogs de vocês, mandem pra listas de e-mails, contem pros seus amigos. Porque ninguém aqui é mané pra ficar comprando produtos caros e depois ser tratado assim.
Terça-feira, Junho 30, 2009
No elevadorChegando no trabalho, fui a última a entrar no elevador. Se bem que entrar não é o termo mais adequado. Fui a última a arremessar meu corpo para dentro do elevador, porque ele estava lá, já estava indo embora e, se fosse mesmo, ou eu ia direto almoçar (porque até descer novamente já seria meio dia), ou eu ia de escada (meu corpo doente cheio de gripe do porco não aguentaria). Mas isso não foi necessário, porque eu consegui. Consegui! Primeira vitória do dia. Pensei "estou dentro", depois reparei que quase todos os botões estavam apertados e ouvi um sujeito com uniforme da manutenção comentar, alegremente: - Quase todos estão apertados! Agora só faltam o 4 e o 9! São 10 andares, todos apertados. O caos. Apertei o 4, pra onde ia, e disse: - O 4 não falta mais. Aí o sujeito surtou e disse: - Quase todos! Quase todos! Só falta um! Ah, quer saber? Vou apertar logo o 9, assim ficam TODOS apertados! (aperta o 9) Nesse momento, ouve-se um murmúrio de choque entre as 18 pessoas que se apertavam lá dentro. Como assim o sujeito apertou um botão pra ficar tudo iluminadinho? Se eu fosse pro 10, depois de parar em TODOS os andares, até no que ninguém ia descer, juro, ia querer arrancar os olhos dessa pessoa.
Domingo, Junho 21, 2009
A cor inexistenteFrancesa Egípcia conta que já fez uns cursos estranhos na vida, só por diversão. E cita dois. Um é “Emília e a transgressão na obra de Monteiro Lobato“. E o outro “Da cor à cor inexistente”. Anh? Cor inexistente? Que negócio do cão danado é esse? Ela explica: - Cor inexistente. Uma cor que não existe na escala de cores. Gente, não tem cor que não exista. É sério. Se é cor, tem no Corel. - Já sei! Ele ensinava a pintar quadros invisíveis! Aqueles que só os inteligentes podem ver! Eu disse isso, e, claro, não poderia perder a piada amarela, então complementei: - Eu mesma já pintei um quadro desses! Aqui, ó - apontando o vazio. Dã. Mas não era isso. Por cor inexistente, o cara queria dizer realmente uma cor que não havia sido retratada em nenhum lugar. Impressionante. Imaginem só uma exposição com quadros de cores inexistentes, as pessoas olhando, olhaaaando e tendo que dizer que estão vendo alguma coisa. Igual aqueles livrinhos de 3D que lançaram quando eu era criança, que em algum momento a gente ficava farto e dizia que estava vendo até o Bob Marley tocando Is this love na figura. Aliás, falando nisso, drogas seriam talvez um recurso para que as pessoas vissem a caceta da cor inexistente. Como o tal curso que Francesa fez não tinha drogas no material de apoio, os alunos realmente, a seco, aprendiam a chegar à tal cor inexistente. Que, vocês podem imaginar, não devia ser parecida com nada que nossos pobres olhos humanos que não fizeram o curso da cor inexistente já tenham visto. Não é mesmo, Francesa? - Bom... Ninguém falou pro professor, achamos que ele pudesse ficar chateado, mas a cor inexistente era... violeta. A cor inexistente existe! Adoro arte.
Domingo, Junho 14, 2009
PétalasFiquei com vergonha de ir nadar sexta-feira. Nadar na sexta-feira à noite normalmente já pega mal. Significa que você não saiu pra tomar um chopp depois do trabalho e são grandes as chances de você ser chato sem amigos. Mas essa sexta abusou. Era sexta-feira, imprensada entre um feriado e um fim de semana, dia dos namorados, estava um frio do cão e chovendo torrencialmente lá fora. Ou seja, só ia ter eu na aula. A pessoa vai num dia como esse e fica até mal vista. Então, com tudo isso... eu fui assim mesmo. Cheguei e os nerds da natação estavam todos lá. Inacre. O melhor mesmo foi que, no caminho, saindo do meu prédio, de repente olhei pro chão e vi umas pétalas de rosa e umas velas espalhadas. Senti um arrepio e pensei: “CREDO! Fizeram um despacho na porta do meu prédio!”. Pédepatomangalôtreizveiz. Seria um aviso pra eu voltar imediatamente pro meu sofá quentinho? Quem sabe ver televisão, eu e a barra de chocolate? Será? Será??? Foi aí que eu olhei melhor e percebi que era a DECORAÇÃO DO DIA DOS NAMORADOS do restaurante japonês que tem do lado da minha portaria. OK, eu passei a semana inteira esquecendo que sexta era dia dos namorados, esse ano joguei ratos decompostos pra essa data de um jeito que nunca pensei que fosse possível. Então estava desligada. Mas que parecia macumba, parecia.
Segunda-feira, Junho 08, 2009
O meu (mau) humorEu tenho um tipo de mau humor matinal particular, assim, muito meu. Não é exatamente na hora que eu acordo. Geralmente, começa depois que eu desço do ônibus, porque aí deu tempo de alguma coisa sair errada. Nesse momento eu já percebi que me atrasei, ou que meu cabelo está horrível, ou que a minha roupa amassou no caminho, ou o motorista não abriu a porta onde eu queria, ou demorei pra achar o crachá na bolsa, ou estava muito quente, ou muito frio, ou qualquer merda que vai me aborrecer. Então desço do ônibus de mau humor, entro no trabalho de mau humor e o mau humor vai até às 10h30, com algumas variações para mais ou para menos dependendo do dia. A variação para mais pode se alongar um pouquinho, até às 18h. Mas geralmente o ápice é até 10h30. Até essa hora, algumas coisas podem influenciar para piorar ou melhorar meu estado. Por exemplo, se chega uma pessoa mais mal humorada que eu, resmungando, reclamando da vida, falando mal de alguém, com muita raiva de tudo, eu acho divertido e me sinto muito melhor. Uma pessoa mal humorada é muito engraçado. Automaticamente meu humor melhora. Agooora... se chega uma pessoa superfeliz, dizendo BOOOM DIA!!!, sorrindo, emanando flores e borboletas pela respiração, aí... meu humor piora muito! Eu tenho vontade de matar essa pessoa! Bater até sangrar, pra ver se ela fica triste e o meu humor melhora. Entenderam? Mas é só até 10h30.
Sábado, Junho 06, 2009
SinaisSei que já falei sobre isso, mas preciso falar de novo: o que há de errado com plaquinhas de "feminino" e "masculino" na porta dos banheiros? Por que as pessoas precisam colocar figuras engraçadinhas, tipo uma bolsa e um chapéu, a dama e o vagabundo, uma pera e uma maçã, uma coca e uma fanta, e não escrever nada embaixo que me ajude a interpretar aquilo? Lá no Peru, os banheiros de um restaurante que fomos tinham na porta um bonequinho com um poncho e um bonequinho com uma saia. Sendo que os bonecos tinham a mesma cara e um poncho e uma saia pra mim nas figuras eram idênticos. Eu tive que perguntar pro cara onde era o meu banheiro. Em espanhol tosco, ainda por cima. Aí ontem fui num barzinho onde nas portas tinham uns bichos desenhados. Um estava sentado e o outro em pé. Meu cérebro danificado jamais poderia compreender aquilo. E se o bicho sentado era um macho fazendo cocô? E desde quando animais sentam no vaso? Ah, não gosto, não acho digno a gente sexta-feira, às 22h, ainda ter pensar.
O trocoSempre me deu TOC quando algum comerciante me dá o troco em dinheiro contando ao contrário. Se eu dei 50 e o troço custa 16, eu espero que ele diga que 50 menos 16 dá 34 e que ele me dê os 34 de troco. Mas não. Eles pegam as notam e vão dizendo um monte de número aleatórios até chegar no troco, algo como: "Cinquenta! Trinta, vinte, quatro, cinquenta!" e tacando as notas na sua mão, com os olhos injetados. Isso sempre me confundiu toda porque eu tenho que fazer muito esforço mental pra fazer essa conta de cabeça, e mais ainda pra interpretar esses números que eles dizem. Não gosto.
Pentel outro dia cobrou novos posts. Disse que entrava no meu blog todos os dias e nunca tinha nada. Nessa hora, senti que, se eu tivesse um coração, ele teria ficado cheio de dó. Então, quem quer que também se importe com novos posts, agradeça a Pentel. Porque o blog estava na UTI. Vão dizer que vocês nem notaram? Faltava só o post de despedida pra fechar o caixão. Ter o que escrever não tenho, já que não fiz nenhuma viagem e, ultimamente, não ando com paciência pra procurar o que dizer. Então, vamos fazer assim: eu posto qualquer coisa só pra não ouvir Pentel falar que entra aqui todos os dias e não tem nada, OK? Se tudo ficar absolutamente desinteressante, um dia ela vai me implorar pra parar. Aí eu vou postar mais umas cinco ou seis vezes, só por vingança, mas, no fim, vou parar.
Segunda-feira, Maio 11, 2009
EU E O PERU - PARTE FINALO bolinho muito rústicoNo trem da volta de Machu Picchu, três farrapinhos humanos receberam o lanchinho do trem. Vinha em uma caixinha linda, que eles entregaram pra gente aberta, como que pra mostrar com orgulho o que tinha lá dentro. Era um sanduíche e um bolinho. Tá bom. Bom, booom, não estava, né, mas tava bom. Ainda mais que tínhamos Inca Kola (nossa paixão: um refrigerante amarelo com gosto de tutti-fruti produzido com drogas, provavelmente coca) pra beber junto. O sanduíche estava gostoso, então eu estava lá, aproveitando meu lanche, quando Veia vira pra mim e fala: - Será que esse bolinho é bom? Estou com medo de comer o sanduíche e deixar o bolo pro final. Se o bolo for ruim, vou ficar com o gosto dele na boca. Vejam como a mente da pessoa pode arrumar complicação até em uma viagem de férias. Que tudo tem que ser milimetricamente calculado. Até o gosto que vai ficar na boca durante a viagem. Aí ele fez o pedido: - Você não quer provar o bolo, não, pra ver se é bom? Sintam a folga da pessoa. Mas pensando bem... que mal havia em provar o bolo? Afinal, eu ia comer mesmo. O quanto um bolo pode ser ruim? No máximo, ia ter um gosto doce geral. Então, dei uma mordida... E o bolo era de COCA! Taqueopariu! Imaginem socarem um monte de folhas de chá verde, misturarem açúcar, fazerem uma pasta e colocarem recheando um bolo? Era a mesma coisa! Discretamente, eu sinalizei para Veia que o bolo era ruim: - AAHHHHHHHHHHHHHHH Esse negócio é HORRÍVEL! Não come isso! Acho que não me fiz entender, porque ele imediatamente...provou um pedaço do bolo. E viu que era mesmo ruim. Eu, hein. Aquela não seria a última vez que receberíamos um bolinho esquisito. No avião voltando de Cuzco pra Lima, recebemos uma caixinha com outro bolinho suspeito. Eu provei aquilo e imediatamente achei que tinha cheiro e gosto de coca, igualzinho o do trem. Até que Veia disse que o dele tinha cheiro de maresia e gosto de peixe, eu disse que não, que era de coca, mas quando cheirei o dele vi que parecia peixe mesmo. O que está acontecendo com os mundo? Que tipo de povo faz doce de coca e de peixe? Ainda bem que existia a Inca Kola. Que deixa tudo com um delicioso gosto de tutti-fruti com corante amarelo. Cuy e a garçonete do mundo bizarroAntes de voltar pra Lima, conhecemos Cuzco. Andamos, andamos e andamos e tiramos mais muitas outras fotos. O almoço foi CUY. Fomos ao Peru, comer cuy. Tudo com muito duplo sentido. O cuy era porquinho da índia, um troço que tem muito pouca carne e parece frango. Chegando em Lima novamente, fomos pra night (leia-se jantar e depois comprar um monte de cerveja pra beber no quarto). O restaurante era um típico peruano que vendia ceviche, que vem a ser peixe cru temperado com limão. Como essa parada era A comida do Peru, a gente tinha que experimentar, assim como o CUY (ui) e o chá de coca (e seus derivados). O tal restaurante tinha garçonetes do mundo bizarro. Na porta, uma menina muito simpática entoava o canto da sereia, tratando as pessoas muito bem até que elas entravam e sentavam. A partir daí, elas estavam abandonadas à própria sorte. Que se salvasse quem pudesse. Era a fuga das galinhas. Ou dos cuys. Depois de esperarmos muitas horas, pedimos o tal ceviche e as nossas bebidas. Veia pediu uma Coca Zero e depois de mais muuuitas horas, de ele ter que perguntar pelo refrigerante, pedir de novo, ela veio dizendo que não tinha Coca Zero. Ele então disse que ela podia trazer normal. Mais muitas outras horas, eu e Medulinha já na metade da sangria e nada da Coca. Depois de pedir pra mais umas três garçonetes do mundo bizarro, a veia de Veia já saltando, ele vira e fala: - Agora ela vem trazendo uma Coca Zero. Achei que eles estivesse brincando, algo como “agora só falta ela trazer uma Coca Zero”, mas não, a mulher vinha realmente com uma Coca Zero, aquela que não tinha. Depois veio a comida, mas não vieram pratos. Pedimos pratos e nada, óbvio. Muuuuito tempo depois vemos a mulher parada, olhando para o nada, e nossos pratos não vinham. Pedimos novamente, ela fez uma cara de que tinha lembrado do pedido naquele momento, pegou os pratos na mesa que estava do lado dela e deu pra gente. Mas o melhor foi na hora da conta. Pedimos a conta e - claro - nada aconteceu. Depois de muito tempo ela volta, olha pra gente e fala: - Ainda não trouxeram a conta de vocês??? Com um ar super-indignado, como se fosse um absurdo estarmos sendo tão mal atendidos. Aí dissemos que não tinham trazido, ela olhou pra bandeja que estava segurando, viu um papel e... era a nossa conta, na bandeja dela! Ela não percebido que a conta estava lá! As nossas gargalhadas explodiram na cara da mulher, que, coitada, saiu de fininho. Claro que a simpática da porta não vê essas coisas. No dia seguinte ao ceviche e às cervejas no albergue, passeamos um pouquinho por Miraflores, onde ficamos hospedados, mas logo tivemos que partir para o aeroporto, para o nosso dia inteiro de viagem. Saímos às 10h, porque o voo era 12h30. Chegamos em São Paulo às 18h30 (são 5 horas de viagem, mas tinha a diferença de fuso). Mais duas horas esperando a conexão, resumindo, chegamos no Rio quase meia-noite. Novamente, pobre é foda. Ainda bem que eu tive uma semana de férias pra descansar - e passar mal do estômago, não entendo por que - em Massambaba.
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